Via L‡ctea - Milky Way

Emana no universo

 a imagem de uma imensa vaca

Que amamenta o mundo

com ideias cegas.

Dos seus úberes, desmedidas tetas,

 Via-Láctea,

Escorrem pastosos líquidos

Nas faces da Terra.


Numa das tetas,

respingam os fluidos da identidade,

herança que se prende

nas paredes inexistentes

da catedral suspensa.

A pedra fundamental da individualidade

É o leite coalhado

No contato da consciência

com a acidez do inconsciente.


Na outra teta,

Derrama o sangue do sexo.

A serpente sedenta,

Que sobe pelas patas bovinas,

Burla a alvura intacta.

Delicia-se ardentemente

do leite quente

No seio da fêmea violada.


Na terceira teta,

Jorra o sêmen da androginia

Para o contrato social já feito no útero,

Homem é homem

Mulher é mulher.

Porém o amálgama Junguiano diz o contrário:

Nasce o duplo,

Mas que é obrigado a viver separado.


Na última teta,

Uma máquina ordenhadeira faz o trabalho,

Aumenta a produção, padroniza o processo

E melhora os resultados.

Após isso, o leite é encaminhado para seu empacotamento:

Embalagens longa vida,

Caixinhas assépticas de máscaras sociais,

Revestimento arquétipos de personas ideais.

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