ego
M.Escher

Habito a ruína de uma catedral vazia,

Onde entoo meus hinos ao infinito,

Cânticos primordiais da grande temporalidade,

Os velhos mandamentos do inconsciente coletivo.


Do teto, abóboda estrelada, em que leio os mortos,

Clareia-me a vida entre carbonos e complexos.

Compreendo os nexos e desenterro os ossos

Do passado fulgente, o lume eterno.


Tramam os fios polifônicos as Constelações,

Tarântulas torturadoras dos desígnios humanos.

Amarram-me aos nervos os antigos arquétipos,

Arquitetura espinhal dos meus mais profundos sonhos.


Recebo a seiva celeste desse universo possível:

As soluções pré-concebidas na história da humanidade.

Torno-me Sócrates, Jesus e Darwin

Torno-me também o inominado desconhecido.


Eu, amálgama forjada no âmago do tempo,

Rompo a barreira entre o passado e o presente

Pressentindo ser essa ruína sagrada

A obra inacabada do meu ego nascente.

 

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