Inveja

invitia
The Ass in the School. (1558) – Pieter Van Der Heyden

Semicerrados olhos

Sangravam pus

Enquanto ceifavam

As flores alheias.


A seiva que escorria

Do caule das plantas

Sedimentava-se ao contato

Com o círculo da inveja:

“Flores de pedra, flores eternas”,

Bradavam os olhos de tristeza.


Uma gargalhada vertiginosa

Despencou no desfiladeiro das almas

Atingiu, no alicerce,

O rio de águas esverdeadas,

Onde outros olhos em pus

 Lacrimejavam raivas


Retornou ao topo.

Esbarrou numa pétala persistente.

Gerou-se o desconforto.

Ela, um escudo reluzente,

Mostrou àqueles olhos

Seu próprio rosto:


Desvelado o vulto,

Revelou-se o eu-medonho

Que ceifava a si mesmo,

Num sacrifício cego:

“olhos de pedra, olhos eternos”,

Bradava ao sedimentar

O último sonho.

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2 comentários em “Inveja

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